Radical, mas consciente

O tema discipulado nunca esteve em evidência como se vê hoje nos círculos evangélicos e até na Igreja Católica, onde, em algumas de suas igrejas, estão sendo aplicados um modelo de pequenos grupos. Muitos pastores e pastoras, no desejo de romper com as amarras e letargia das igrejas, partem desesperadamente para a implantação do método a qualquer custo, sem refletir, ir a fundo nas implicações do discipulado bíblico. São incontáveis as igrejas e pastores/as frustrados/as, desmotivados/as e sem perspectivas por terem implantado células em suas igrejas, mas que não estão caminhando como se esperava. A impressão que fica é que não aplicamos o modelo de células na comunidade local por causa das pessoas, mas porque está na moda ou estamos “sob pressão” por resultados.

“E Eliseu voltou, apanhou a sua parelha de bois e os matou. Queimou o equipamento de arar para cozinhar a carne e a serviu ao povo, e eles todos comeram. Depois partiu com Elias, tornando-se o seu assistente e aprendiz” (1Rs 19.21).

A experiência do profeta Eliseu pode nos apontar alguns indicativos a respeito de um discipulado radical, mas, consciente. Elias, no final do seu ministério profético,  chama Eliseu como discípulo e sua atitude é surpreendente e radical.

.A primeira lição está relacionada à atitude de Elias em jogar sobre Eliseu o seu manto (1Rs 19.19, 2.14). O manto representa a unção que estava sobre Elias. Eliseu, conscientemente, pediu a Elias uma unção dobrada e este lhe atendeu o pedido. Eliseu tinha consciência que sem unção, sem poder, não haveria ministério profético, não haveria discipulado.

.A segunda lição está relacionada à atitude radical de Eliseu ao ser chamado por Elias. Sua atitude  revela o desprendimento e disposição em abrir mão de tudo, não deixar nada que pudesse representar segurança humana ou razões para voltar atrás diante de alguma dificuldade no ministério profético. Jesus “concorda” com Eliseu e aperta um pouco mais o nível de comprometimento ao desafiar os discípulos ao envolvimento e imersão total na tarefa principal da igreja: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me” (Lc 9.2). As demandas do Reino são urgentes e não dá para esperar, há almas a salvar e o chamado ao discipulado não pode ser ignorado.

.A terceira lição está ligada à maior dificuldade do ser humano, que é a mortificação do ego. Eliseu revela um altruísmo e um desejo abnegado parecido com o perfil do apóstolo Paulo, que não via sua vida como preciosa, abrindo mão de tudo, servindo todos/as para alcançar o máximo de vidas ao Reino.

Ao entrar numa sala imensa na Universidade de Oxford, vi a longa galeria de quadros das personagens importantes da história inglesa, figuras como Albert Einstein, Winston Churchill, Henrique VIII e outros que ali estudaram ou frequentaram. O que mais me chamou a atenção ao entrar na galeria, foi ver o primeiro quadro, colocado em lugar de destaque. Era o quadro do fundador da Igreja Metodista, estadista e mestre. Quando chegarmos diante do Senhor na eternidade e “entrarmos na grande galeria dos remidos onde estará o nosso quadro? Como seremos vistos pelo Senhor? Apenas como quem passou por esta vida sem se envolver, sem se importar com as almas que caminham para o vale da perdição?

Natanael Pereira do Lago, pastor na IM Central em Ribeirão Preto (SP)

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