Dia da Escola Dominical: confira a proposta de reflexão e o material de apoio

A fim de celebrar o Dia da Escola Dominical, a Secretaria Regional da ED produziu esse material (um texto de apoio ao professor/a e um breve vídeo) para reflexão em aula de Escola Dominical nas Igrejas Metodistas da 5ª Região, no mês de setembro.

Cada coordenação de ED será convidada a aplicar este material numa aula de Escola Dominical no mês de setembro de 2021. A sugestão é que seja feito numa classe única (adultos, jovens e juvenis). Contudo, a coordenação da ED está livre para definir em que classe vai desenvolver a proposta.

A sugestão é que seja dia 19 de setembro. Mas, a coordenação poderá definir outra data (entre setembro e outubro) que melhor se adeque a sua organização.

Mobilizar/provocar a ED para a reflexão sobre o tema sugerido e captar os pensamentos, ideias e propostas que vão surgir a partir deste encontro e consequente debate. SOLICITAMOS QUE A COORDENAÇÃO LOCAL DA ED POSSA ANOTAR AS CONSIDERAÇÕES/CONCLUSÕES/IDEIAS ELABORADAS PELOS/AS ALUNOS/AS E ENVIAR PARA O DEPARTAMENTO REGIONAL.

Escola Dominical Missionária - de olho nas novas gerações

TEMA: “Influenciar e discipular as novas gerações: como a Escola Dominical pode contribuir neste propósito?”

TEXTO BÍBLICO: Provérbios 22.6 | Deuteronômio 6.4-9

PROBLEMÁTICA

          Um olhar sobre as crianças e adolescentes – Não é de hoje que a sociedade tem demonstrado forte interesse nas crianças e adolescentes. A cultura do consumo e as diversas ideologias já perceberam que se ganharem o coração e a mente das crianças e adolescentes poderão concretizar seus anseios e disseminar seus princípios que passarão a fundamentar a cosmovisão determinando a postura e o comportamento dessa nova geração no mundo. Questões como pedofilia, violência doméstica, ideologia de gênero, cultura do consumo (marketing infantil) têm afligido e preocupado as famílias.

          Pesquisa realizada no ano de 2020 pela Global Youth Culture revelou hábitos, crenças, dificuldades e influências em adolescentes e jovens no Brasil e em outros 19 países. Entre alguns dados estão:

– O Brasil lidera o ranking de adolescentes que acessam pornografia e está entre os 5 países com maior ocorrência de pensamentos suicidas nessa faixa etária. Solidão e ansiedade atingem um grande número, e especialmente as meninas têm mais dificuldades com a saúde emocional.

–  Entre os adolescentes que se identificaram como evangélicos, 1 em cada 3 afirmou nunca ter lido a Bíblia por conta própria e somente 9% de todos os entrevistados se identificaram como cristãos praticantes.

– O Brasil está em primeiro lugar no tempo de conexão digital – 9h30 por dia é a média por adolescente.

– 52% de todos os entrevistados disseram acreditar que o casamento não precisa ser exclusivamente entre homem e mulher e apenas 39% dos adolescentes evangélicos concordam que não é certo manter relação sexual antes do casamento.

– 78% dos respondentes disseram que, em geral, sua vida familiar é satisfatória e a maioria acredita que participar de uma comunidade é essencial. 50% deles afirmam que uma experiência espiritual (como uma oração respondida), mais do que uma conversa com os pais, amigos ou líderes religiosos, pode fazê-los mudar de opinião/crença.

Um olhar sobre as famílias – a realidade das famílias é um fator preocupante. Estão perdidas em meio a um mundo volátil, individualista, hedonista e altamente permissivo. Mesmo as que se dizem cristãs parecem rendidas diante de tão grande desafio. Certo pastor, durante o culto em sua igreja, chamou as crianças ao altar para orar com elas. Antes, conversou um pouco com as crianças e resolveu perguntar a elas quem é que lia a Bíblia para elas em suas casas. E a resposta foi: “Ninguém lê a Bíblia para mim!”. Surpreso com a resposta, o pastor continuou: “Ninguém lê a Bíblia para vocês em casa?”. E algumas crianças então responderam: “Na minha casa ninguém lê a Bíblia!”. Aqueles eram filhos e filhas de crentes.

Um olhar sobre a igreja – finalmente, ao olharmos para a igreja constatamos uma enorme dificuldade em conseguir manter a nova geração ao seu alcance. A pesquisa sobre Escola Dominical e Educação Cristã realizada na 5ª Região Eclesiástica em agosto de 2020 apontou que as classes menos atendidas durante a pandemia do corona vírus foram as de crianças e adolescentes. Não se pode desconsiderar as dificuldades impostas pela situação pandêmica, porém, há tempos que a influência da igreja sobre essa faixa etária está enfraquecida e, em alguns casos, é inexistente. Das crianças que frequentam a igreja, a maioria aceita a Cristo até 14 anos. Contudo, o maior desafio não é leva-las a Cristo, mas faze-las permanecer. Mais de 60% dos que aceitam a Cristo quando criança deixam sua fé quando chegam a universidade ou entram no mercado de trabalho. É preocupante pensar que de 10 crianças que temos na igreja, 5 ou 6 não vão permanecer. É o mesmo que imaginar que um de nossos dois filhos ou filhas não vai permanecer, vai deixar a sua fé.

AMPLIANDO A VISÃO

A Igreja Metodista é uma igreja missionária! Em seu propósito de salvar o mundo, Deus conta com cada um/a de nós. E essa missão apresenta muitos e novos desafios conforme o tempo passa e o mundo muda. Pesquisas realizadas no ano de 2020 apontam que um dos maiores desafios da igreja para os próximos anos é influenciar e discipular as novas gerações.  A Escola Dominical é um braço da igreja local. Ela é uma das muitas formas através das quais a igreja desenvolve sua missão, por isso, não pode caminhar sozinha ou definir suas ações de maneira apartada dos demais ministérios da igreja. Toda igreja precisa estar engajada na missão de modo organizado e colaborativo. Assim, o desafio de influenciar e discipular as novas gerações deve ser abraçado pela Escola Dominical.

Como metodistas consideramos que a criança e o adolescente fazem parte da missão da Igreja como alvos, mas, também, como agentes dessa missão. Nosso propósito é que jamais se desviem do caminho da salvação, desta forma, precisamos considerar que eles não são simplesmente a igreja do futuro, mas sim, igreja hoje! Não são “discípulos em espera” aguardando a sua vez para fazer parte de algo, mas, como parte da Igreja, como parte desse corpo, já são discípulos e discípulas de Jesus hoje, e para tanto, precisam ser inseridos na vivência da igreja.

“Por muito tempo, as crianças foram vistas como objetos da missão, em vez de participantes ativos da missão. As crianças não devem ser vistas simplesmente como jarros a serem preenchidos com informações, mas sim como todo o povo de Deus que pode contribuir ativamente para a missão de Deus (…)”. (CASAS QUE DÃO VIDAS. p.23)

Ensinar a criança o caminho que ela deve andar (Provérbios 22.6) é ir junto, caminhar lado a lado e, esse exercício é muito importante. O Patriarca Jacó, após encontrar-se e reconciliar-se com seu irmão Esaú, foi convidado por este a acompanhá-lo na viagem que deveriam fazer: “Disse Esaú: Partamos e caminhemos; eu seguirei junto de ti.” (Gênesis 33.12). A resposta de Jacó, dada a seu irmão, levou em consideração as necessidades de seus filhos e filhas (Gênesis 33.13-14). Ele preferiu ficar para trás e caminhar junto com o seu povo, seguindo no passo das crianças e dos animais, a fim de que estes não se cansassem ou morressem pelo caminho. A Bispa Hideide Brito Torres, ao refletir sobre a relação do ensino entre Igreja e Criança a partir desta citação bíblica, declara que se quisermos “que elas sigam as pegadas, é preciso diminuir o tamanho da passada. É preciso que a Criança seja o metro, o padrão” (TORRES, 2017).

Neste processo, o papel da igreja é fundamental e precisa acontecer em duas frentes: influenciando e discipulando crianças e adolescentes; discipulando e capacitando as famílias para que assumam a responsabilidade de fundamentar a fé de seus/suas filhos/as.  É muito importante que a família participe do processo de formação da fé no coração das próximas gerações. Família da fé e família nuclear cumprindo juntas a ordenança de Deus em Deuteronômio 6.4-9. O primeiro modelo de vida em que a criança se inspira como exemplo a ser seguido é a família nuclear. Normalmente, seu olhar se volta primeiramente para a casa e, depois, para a igreja e sociedade. Sendo assim, a fé a ser plantada na vida da criança, precisa ser vivida e alimentada por essas duas famílias.

QUESTÕES PARA DEBATE

1) O que significa, no âmbito da Escola Dominical, a criança e o adolescente não serem “um jarro”, pronta apenas para receber informações?

2) Como a Escola Dominical pode ajudar a nova geração (indivíduos de 0 a 19 anos) a se reconhecer como parte da Missão e como discípulos e discípulas de Cristo?

3) O que a Escola Dominical da nossa igreja local tem feito (ou precisa fazer) para capacitar e discipular as famílias com filhos/as nessa faixa etária? Isso tem sido suficiente? Que outras ações a Igreja poderia desenvolver?

ORAÇÃO E DEDICAÇÃO

          Em Neemias 4.13-14 lemos que ele convocou todo o povo para que, com lanças, espadas e arcos em mãos, pelejasse por seus irmãos, filhos e filhas, mulheres, por suas casas. O Senhor, grande e temível, concedeu vitória ao seu povo. Como Escola Dominical podemos fazer isso, podemos batalhar por nossos filhos e filhas, sejam biológicos ou espirituais. Meu irmão e minha irmã, você se compromete com isso? Vamos orar?

REFERÊNCIAS

BIBLIA DE ESTUDO DE GENEBRA. (2. Ed. Revisada e Ampliada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil; São Paulo: Cultura Cristã, 2009.

CASAS QUE DÃO VIDA. Disponível em: https://www.max7.org/pt-br/search?category=24 Acesso em 30/08/2021.

Fundamentos do Discipulado para a Nova Geração. Disponível em: https://ead.geracaoelo.com/ Acesso em 09/09/2021.

Pesquisa Global Youth Culture. Disponível em:  https://www.globalyouthculture.net/ Acesso em 27/08/2021.

PLANO NACIONAL MISSIONÁRIO 2017-2021. TORRES, Hideide Brito. Material de apoio da Igreja Metodista para a EBF 2017. Disponível em: https://bityli.com/cJH8v Acesso em 25/08/2021.

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