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Batismo, Sinal da Graça - Rev. Edinei B. Reolon






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"Pastor, o senhor pode batizar meu tio que, segundo os médicos, está prestes a morrer?" Com essa pergunta, uma jovem da nossa igreja me surpreendeu e me levou a ter mais um motivo para agradecer a Deus pelo privilégio de ser metodista!

Gideon era o nome dele. Um irmão que teve a bênção de nascer em lar cristão, mas optou por não desfrutar da Graça de Deus ministrada pelos pais em casa. Envolveu-se com alcoolismo e definhou. No leito de uma UTI, decidiu então experimentar a Maravilhosa Graça de Deus – em diagnóstico de cirrose hepática irreversível e, pela medicina, sem possibilidades de tratamento. Os pais, já idosos, glorificaram a Deus pela resposta das orações feitas durante toda a vida pelo "filho pródigo". Porém, uma angústia acometeu aquele lar, em meio à alegria do retorno do filho: o pastor da igreja da família, de tradição pentecostal/imersionista, não teria como batizar o filho arrependido. Nesta hora, o próprio pastor sugeriu a procura de um pastor metodista. No leito, com a família ao redor, ministrei sobre o filho pródigo; Gideon confirmou a Jesus como seu único Senhor e Salvador, foi batizado e participou da Santa Ceia. Uma semana após, entreguei o certificado de batismo do metodista Gideon, aos seus pais, em seu funeral. Assim, tive o privilégio de fazer parte de mais essa história da Graça transbordante que não soma débitos ou créditos pessoais, mas expressa o amor sacrificial de Jesus Cristo em favor de cada um de nós.

Falar sobre batismo, a partir daqui, me inspira a uma abordagem pastoral: assim não me preocuparei com citações canônicas, documentais, históricas, acadêmicas, ou mesmo de teólogos e pensadores cristãos. Reconhecendo, no entanto, a importância e embasamento desses aspectos em nossa prática pastoral. Deus decidiu transbordar da Sua Graça e firmou uma aliança perpétua com todos aqueles que quiserem. Iniciou com Abraão (Gn. 12:1 a 3), um homem sem méritos ou obras que justificassem a escolha. Como símbolo desta aliança, Deus estabeleceu um sinal visível – circuncisão (Gn. 17: 9 a 14). Símbolo de extremo significado e, por isso, valor imensurável. Circuncisão esta aplicada aos meninos nascidos na fé e que representava a Graça da bênção salvadora; era também aplicada àqueles que, depois de adultos, recebiam a revelação deste amor incomparável. Quando atentamos para a libertação dos hebreus da escravidão egípcia e a posterior entrada na terra prometida, notamos a importância desta marca (Js. 5: 3 a 9). Circuncisão – um dos sinais do povo liberto.

Ao observarmos a indignação do jovem Davi frente às ofensas de um incircunciso ao Deus vivo (I Sm.17:26), constatamos a relevância deste símbolo. Enfim, a história dos judeus até hoje é distinta por esta marca. A vinda e a vida do Senhor Jesus tornou a Graça, até então mediada pela lei judaica, acessível a todos – vindos de tantas raças, línguas e nações (Mt. 28:19,20; At. 1:8). Novo tempo e dispensação; novo Símbolo, mas princípios/aliança eterna. Paulo afirma que a verdadeira e real circuncisão é feita por meio de Jesus e, agora, seu símbolo é o batismo (Cl. 2: 9 a 12). Assim, inseridos na bênção da aliança eterna pela Graça divina, somos adotados e nos tornamos descendentes de Abraão – o pai da fé – monoteísta (Rm. 4:16 a 18) em Jesus Cristo, como único Senhor e Salvador. Neste tempo da Graça transbordante, inclusiva e universal, temos a oportunidade de aplicar em nossos filhos e filhas este abençoador símbolo.

Alguém dirá: mas como, se uma criança não pode se arrepender? Nós diremos: ela não precisa se arrepender para receber o sinal da salvação em sua vida. Para nós, metodistas, batismo não é sinal de arrependimento. Aliás, arrependimento não salva ninguém. Somos salvos pela Graça (Ef. 2:8), e o arrependimento é o instrumento de Deus para que percebamos nossa culpa (Rm. 3:23). Outros dirão: Jesus ordenou que pregássemos e quem se arrependesse seria salvo (Mc. 16: 15,16). Exatamente! Não pregamos arrependimento a um recém nascido, por isso, esse mandamento não se aplica à criança. Ainda na esfera argumentativa: Jesus foi batizado aos 30 anos! O batismo de João Batista era, sim, sinal de arrependimento dentro da tradição judaica (Jo. 3:25; Mt.3:11). Ele não batizava em nome do Deus Trino e quem com ele ia às águas não estava aceitando a Jesus como Messias.

Gosto da figura da casa como ilustração da nossa fé, no quesito batismo: imagine que a salvação seja comparada a uma casa. A porta de entrada se chama Graça. A garagem se chama arrependimento. Ou seja: só se entra na casa da salvação pela porta da Graça. Porém, necessário se faz passar pela garagem do arrependimento. Para nós, metodistas, essa metáfora se completa ao afirmarmos que as crianças nascem dentro da casa e, por isso, não precisam passar pela garagem! Se o Reino dos Céus é das crianças (Mc. 10: 13 a 16) e ao aceitarmos a Jesus o novo nascimento (Jo. 3:3) nos torna crianças em Cristo, por que algo impediria uma criança (de verdade) de receber o sinal desta maravilhosa Graça? Alguém dirá: ok, porém, se mal não faz, bem também não! Engano! Batismo não pode ser comparado com o "chazinho da vovó". Faz muito bem e por isso deve ser aplicado, com alegria e expectativas, em nossas crianças. Pense na importância da circuncisão para o povo judeu, o princípio é o mesmo.

Já que o batismo (com água em nome do Pai, Filho e Espírito Santo) é o sinal visível da graça invisível – pela qual somos salvos (sacramento) –, não há por que dar relevância para o tamanho ou quantidade do sinal – símbolo. Ou seja: volume de água ou das palavras sacramentais não interfere no significado. Aliás, sempre que o símbolo ocupa o lugar daquilo que representa, torna-se um ídolo. Durante meu ministério, sempre ensinei aos novos convertidos a importância de serem batizados, testemunhando assim os aspectos da Graça – preveniente, salvadora, justificadora, santificadora e capacitadora. Expressando a bênção do pertencimento e desfrutando dos privilégios de sermos raça eleita, sacerdócio real, nação santa e povo de propriedade exclusiva de Deus (I Pe. 2:9a). Os mesmos, depois de experimentar e testemunhar tal Graça maravilhosa, ainda desfrutam desta mesma bênção na vida de seus filhos (I Pe. 2:9b), uma vez que a aliança é perpétua e a bênção transborda sobre infinitas gerações.

Recentemente, um casal vindo de uma denominação que não abençoa as crianças com o batismo afirmou que, entre consagrar uma criança no Altar, educá-la nos caminhos de Deus testemunhando por meio da própria vida ou batizá-la não testemunhando na sequência, preferia consagrar e testemunhar. Concordei! Porém, não existem somente estas duas possibilidades. Afirmei que, como metodistas, optamos por uma vida de testemunho da Graça e, desta forma, somos desafiados a viver tal realidade em nossos lares – instruindo nossas crianças por meio do testemunho e tornando o batismo o primeiro passo na educação cristã dos nossos pequeninos.

Enfim, batismo é importantíssimo; porém, não supera em importância o significado dele: salvação proporcionada por meio de Jesus Cristo mediante a Aliança feita por Deus, para todo sempre. A família do Gideon que o diga!

 

Rev. Edinei Berteli Reolon




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